Depois de tanto ler Adélia Prado,
Decidi abandonar as novenas.
Também desisti das Missas de domingo.
Agora, estou mais pra Hilda Hilst:
Sexo e pimenta. Juntos.
Agora, só no twitter...
ói nóis
quarta-feira, março 01, 2006
sábado, fevereiro 25, 2006
Passado
A dificuldade de se caçar fantasmas é que insistimos em acender nossas lanternas nas buscas, sem nos darmos conta de que fantasmas só são visíveis no escuro...
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
VINICIUS, SEMPRE VINICIUS
Ah, Vinicius, posso ser sua 10ª esposa na poesia?
Sinto que sou letra
E vou chamar Vinicius
Pra me transformar em música...
Sinto que sou letra
E vou chamar Vinicius
Pra me transformar em música...
terça-feira, fevereiro 21, 2006
O Beijo
Acabei de participar de uma oficina de poesia na Casa das Rosas. O curso, chamado Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, é dado por Fabiano Calixto, poeta dos bons. Hoje foi a última aula, mas a oficina vai se repetir daqui a quinze dias. Adorei participar e aproveito esse meu espaço pra divulgar o curso e o lugar, que é lindo de morrer (uma casa de época, com um jardim bárbaro na frente, cheio de tapiaria, em plena Avenida Paulista!).
A oficina é bem prática e os alunos são estimulados a fazer poesia o tempo todo. Numa das aulas, o professor escolheu três palavras (estátua, flores e amor) para que fizéssemos um poema ali na hora. A rima era opcional e o estilo livre. O meu fruto do exercício é esse que aí vai:
A oficina é bem prática e os alunos são estimulados a fazer poesia o tempo todo. Numa das aulas, o professor escolheu três palavras (estátua, flores e amor) para que fizéssemos um poema ali na hora. A rima era opcional e o estilo livre. O meu fruto do exercício é esse que aí vai:
foto retirada de www.circuitoabc.com.br
O BEIJO
O amor transborda
Da estátua de mármore
E o beijo se esforça
Mas nunca acontece
Quantas vezes Rodin levou
Flores pra Camille Claudel?
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Do outro lado do espelho...
O velho olhou para a pintura de seu retrato, em lugar de honra em sua parede. Apesar de ter vivido uma vida exemplar, nos quesitos honra, humildade e auto-sacrifício, entre outras virtudes; apesar das constantes doações e boas ações que o tornaram quase beato, a marca da maldade - vinda do nada - se instalara em seus olhos e em sua face, junto com as rugas da idade avançada.
Lembrou-se do quanto era belo quando o artista pintou seu quadro e, por um instante, suspirou com um sentimento de injustiça. Foi aí que algo estranho aconteceu.
A pintura, à sua frente, tomou vida por um instante, apunhalou o próprio coração e morreu. Assustado, o velho correu para o espelho. Era jovem e belo, novamente.
Lembrou-se do quanto era belo quando o artista pintou seu quadro e, por um instante, suspirou com um sentimento de injustiça. Foi aí que algo estranho aconteceu.
A pintura, à sua frente, tomou vida por um instante, apunhalou o próprio coração e morreu. Assustado, o velho correu para o espelho. Era jovem e belo, novamente.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Reminiscênicas

Tão vendo lá atrás, meio na penumbra, um sujeito segurando um violão? Sou eu!!! Participei da montagem de Os Saltimbancos feita por Yuri Simon, que acaba de me encontrar no Orkut (Santo Orkut!) e me mostrar essa preciosidade!
Notem a meia branca aparecendo. Explico: como eu não tinha figurino, acabei pedindo emprestado uma calça pra Alessandra que, obviamente, era pequena. Sacrifícios que a gente faz pela arte!
Nossa! Nessa época eu pesava 78 quilos! É muita reminiscência pra uma foto só!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Nosso dia de cinema:
Ana levantou hoje, reclamou de tudo, deprê, e ainda declarou que odeia o seu aniversário. Eu disse a ela "deixa disso" e tentei provar-lhe que a vida era linda!
Foi nosso dia de "Se eu fosse você"...
Foi nosso dia de "Se eu fosse você"...
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
ESSES HOMENS...
Hoje foi o último capítulo do seriado “24 Horas”, no qual eu e o Gu ficamos totalmente viciados. Ficávamos roendo as unhas durante os episódios e quaisquer comentários só eram permitidos nos intervalos.
Foi adrenalina pura.
Bom, como em todo último capítulo, vários casais ficaram juntos e declararam amor eterno. Com algumas diferenças, é claro. Quando se tratava de um homem e uma mulher, as declarações de amor eram explícitas e os “eu te amo” corriam soltos. Mas, quando eram dois homens, as declarações de amor eram bem mais sutis. Duas cenas - digamos de amor - me fizeram rir muito. Numa delas, o herói da série, Jack Bauer, se despede do melhor amigo, que já salvou sua vida inúmeras vezes e vice-versa. Mas, na hora da despedida, rolou um simples “se cuida, tá?”, o que, traduzindo para uma versão menos machista, quer dizer “eu te amo, amigo”. Na outra cena, foi a vez de Jack se despedir do Presidente dos EUA, que tinha acabado de salvar sua vida também. Aí, a declaração foi mais formal ainda. Ao invés de dizer “eu te amo, queridão, obrigado por salvar minha vida”, Jack se limitou a declarar “foi uma honra, Senhor Presidente”.
Coisas de machos que não mandam beijos pros amigos quando vão desligar o telefone, nem via e-mail. No máximo, um forte e grande abraço!
Foi adrenalina pura.
Bom, como em todo último capítulo, vários casais ficaram juntos e declararam amor eterno. Com algumas diferenças, é claro. Quando se tratava de um homem e uma mulher, as declarações de amor eram explícitas e os “eu te amo” corriam soltos. Mas, quando eram dois homens, as declarações de amor eram bem mais sutis. Duas cenas - digamos de amor - me fizeram rir muito. Numa delas, o herói da série, Jack Bauer, se despede do melhor amigo, que já salvou sua vida inúmeras vezes e vice-versa. Mas, na hora da despedida, rolou um simples “se cuida, tá?”, o que, traduzindo para uma versão menos machista, quer dizer “eu te amo, amigo”. Na outra cena, foi a vez de Jack se despedir do Presidente dos EUA, que tinha acabado de salvar sua vida também. Aí, a declaração foi mais formal ainda. Ao invés de dizer “eu te amo, queridão, obrigado por salvar minha vida”, Jack se limitou a declarar “foi uma honra, Senhor Presidente”.
Coisas de machos que não mandam beijos pros amigos quando vão desligar o telefone, nem via e-mail. No máximo, um forte e grande abraço!
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Ruína
Nada é mais prático na vida de UMA PESSOA que uma pochete. Principalmente no calor, quando queremos usar nossos shorts fresquinhos mas sem lugar pra colocar chaves, carteira, dinheiro e protetor solar...
Mas podemos usar pochetes? Não! Sob pena de sermos tachado(A)s de bregas sem noção pelas companheiras e/ou companheiros!
Está provado: O amor leva à ruína toda a praticidade da vida!
PS: Tive que mudar esse post, pois a vida (através da K) acaba de me mostrar que não são só os homens que lutam pela liberação da pochete!
Mas podemos usar pochetes? Não! Sob pena de sermos tachado(A)s de bregas sem noção pelas companheiras e/ou companheiros!
Está provado: O amor leva à ruína toda a praticidade da vida!
PS: Tive que mudar esse post, pois a vida (através da K) acaba de me mostrar que não são só os homens que lutam pela liberação da pochete!
sexta-feira, janeiro 20, 2006
O que é necessário para alegrar o dia?
Resposta Simples: Um hipopótamo sorridente!
Comigo, pelo menos, funcionou: Acordei mal-humorado e com calor, resmunguei durante o café da manhã, fiz caretas e tive gases lavando vasilhas, fui pro meu computador e, no teclado, um pequeno hipopótamo sorridente me garantiu que a Ana me amava! E queria me amar para sempre!
Danei a chorar, beijei a Ana e meu dia ficou feliz!
Comigo, pelo menos, funcionou: Acordei mal-humorado e com calor, resmunguei durante o café da manhã, fiz caretas e tive gases lavando vasilhas, fui pro meu computador e, no teclado, um pequeno hipopótamo sorridente me garantiu que a Ana me amava! E queria me amar para sempre!
Danei a chorar, beijei a Ana e meu dia ficou feliz!
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Cliente Antipático...
- Sr. Silva, fiquei sabendo que você teve problemas com seu último cliente. Se importa de me contar o que aconteceu?
- Pois não, senhor. Eu o abordei com nosso procedimento padrão, expliquei a ele os benefícios de não reagir e mostrei meus recursos naturais e tecnológicos.
- Perfeito.
- Então eu disse a ele que era necessário investir na iniciativa privada de forma a agregar valor ao nosso negócio.
_ Me parece tudo certo...
- Bom, aí o cliente me disse que estava sendo forçado a me dar sua renda e que não teria nenhum retorno daquele dinheiro, portanto eu não podia comparar o meu assalto com um investimento, e sim com um imposto. E que portanto eu não era um empreendedor, e sim o governo.
- E você...?
- Eu matei o desgraçado, que eu não levo desaforo para casa, oras!
- Pois não, senhor. Eu o abordei com nosso procedimento padrão, expliquei a ele os benefícios de não reagir e mostrei meus recursos naturais e tecnológicos.
- Perfeito.
- Então eu disse a ele que era necessário investir na iniciativa privada de forma a agregar valor ao nosso negócio.
_ Me parece tudo certo...
- Bom, aí o cliente me disse que estava sendo forçado a me dar sua renda e que não teria nenhum retorno daquele dinheiro, portanto eu não podia comparar o meu assalto com um investimento, e sim com um imposto. E que portanto eu não era um empreendedor, e sim o governo.
- E você...?
- Eu matei o desgraçado, que eu não levo desaforo para casa, oras!
segunda-feira, dezembro 19, 2005
FANTASMAS
Eu e o Gu moramos num prédio-fantasma. Não riam, porque é a mais pura verdade. Estamos aqui há um ano e meio e não sabemos o nome de um morador sequer, nunca ouvimos barulho nenhum e raras são as pessoas que transitam pelo corredor. A única “pessoa” que conhecemos é o Pingo, um cachorrinho poodle que mora no apartamento em frente ao nosso. Mas ele pode perfeitamente já ter morrido há séculos e continuar ali só pra assombrar os desavisados como nós.
Quanto às pessoas que, vez por outra, vemos no elevador, tenho certeza que são contratadas pelos “fantasmas”, só para despistar e não levantar maiores suspeitas. Como eu não quero me mudar daqui tão cedo – já que é um prédio muito silencioso, como um cemitério – vou ignorar todas as coincidências funestas e deixar o assunto morrer, literalmente.
Quanto às pessoas que, vez por outra, vemos no elevador, tenho certeza que são contratadas pelos “fantasmas”, só para despistar e não levantar maiores suspeitas. Como eu não quero me mudar daqui tão cedo – já que é um prédio muito silencioso, como um cemitério – vou ignorar todas as coincidências funestas e deixar o assunto morrer, literalmente.
Boas festas!
A Família AnGu deseja a todos os amigos que freqüentam o blog um ano novo muito melhor do que o que agora morre (não vai ser difícil, já que 2005 foi perto de um fiasco!).
Cartão de Ano Novo! (em flash)
Cartão de Ano Novo! (em flash)
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Como parecer inteligente?
Leia "Os Dublinenses", um livro de contos muito bom e sem maiores complicações. Depois, chegue na rodinha de intelectualóides e declare: "Já li Jaimes Joyce... Não achei nada demais, bem simples mesmo. Deu pra entender tudo!"... E fique curtindo os olhares de admiração que vai ganhar...
quinta-feira, dezembro 01, 2005
OS GATOS
Gatos são seres delicados que habitam, de fato, o mundo dos gestos suaves. Tente pegar um gato à força ou sem cuidado, pra ver o que te acontece...
O mundo dos gatos é, sem dúvida, o País da Delicadeza. Pra fazer carinho no meu gato, eu faço assim: vou chegando bem de mansinho, sem fazer barulho e coloco, primeiro, um dedo no pêlo dele, depois outro dedo e, após algum tempo, a mão inteira. E fico lá, fazendo cafuné, com o maior cuidado do mundo e torcendo pra ele não me dar uma patada no meio da cara e sair correndo!
O mundo dos gatos é, sem dúvida, o País da Delicadeza. Pra fazer carinho no meu gato, eu faço assim: vou chegando bem de mansinho, sem fazer barulho e coloco, primeiro, um dedo no pêlo dele, depois outro dedo e, após algum tempo, a mão inteira. E fico lá, fazendo cafuné, com o maior cuidado do mundo e torcendo pra ele não me dar uma patada no meio da cara e sair correndo!
domingo, novembro 27, 2005
Inexorável
Por um erro de digitação dentro da noite, ele guardou os livros num instante, ao invés de guardá-los na estante. Transformou, inexoravelmente, o estável em instável. Tudo desceu pelo insgoto!
segunda-feira, novembro 21, 2005
INVENÇÃO
Ontem, ouvi uma das coisas mais fantásticas do mundo. Ferreira Gullar, poeta dos mais ilustres, disse que tudo nessa vida é invenção. Não existe realidade, não existe verdade e todas as teorias são uma mentira sem tamanho. Afinal, não temos prova de nada! Nem de que o homem foi mesmo à lua...
E, para arrematar, ele disse que, se é tudo invenção, que inventemos, então, um mundo feliz, pra cima, bem-humorado, simples, ao invés de acreditar nessas teorias niilistas e pessimistas dos filósofos (alemães) chatos.
Que mundo você inventaria?
Eu inventaria o mundo da delicadeza, onde tudo seria sussurrado, bem baixinho, ao pé do ouvido, sobretudo a poesia.
E, para arrematar, ele disse que, se é tudo invenção, que inventemos, então, um mundo feliz, pra cima, bem-humorado, simples, ao invés de acreditar nessas teorias niilistas e pessimistas dos filósofos (alemães) chatos.
Que mundo você inventaria?
Eu inventaria o mundo da delicadeza, onde tudo seria sussurrado, bem baixinho, ao pé do ouvido, sobretudo a poesia.
quinta-feira, novembro 17, 2005
O segredo dos aviões
Descobri que as turbinas servem apenas para empurrar o avião para frente. Ele voa, na verdade, por causa da imensa quantidade de assentos flutuantes dentro dele.
domingo, outubro 23, 2005
Planos
Quando você dá o bife mais suculento a uma pessoa porque quer que ela goste de você: isso é paixão;
Quando você dá o bife mais suculento a uma pessoa porque quer o melhor para ela: isso é amor;
Quando você se dá conta que, sem nem pensar, já deu o bife mais suculento, e ainda o cortou em tirinhas, para facilitar: isso é paternidade...
Quando você dá o bife mais suculento a uma pessoa porque quer o melhor para ela: isso é amor;
Quando você se dá conta que, sem nem pensar, já deu o bife mais suculento, e ainda o cortou em tirinhas, para facilitar: isso é paternidade...
terça-feira, outubro 18, 2005
Homenagem a Drummond
No meio do corredor tinha um cachorro
Tinha um cachorro no meio do corredor
Tinha um cachorro
No meio do corredor tinha um cachorro
E esse cachorro se chamava Quindim
E o lugar que ele mais gostava de ficar
Era no meio do caminho.
Tinha um cachorro no meio do corredor
Tinha um cachorro
No meio do corredor tinha um cachorro
E esse cachorro se chamava Quindim
E o lugar que ele mais gostava de ficar
Era no meio do caminho.
segunda-feira, outubro 17, 2005
Agradecimentos oníricos
Desde criança, meus sonhos se dividem em dois tipos: os realizáveis, como fazer o meu próprio horário, morar em São Paulo e casar com uma esposa linda e doce; e os irrealizáveis, como nadar próximo a uma baleia ou participar da montagem de um filme.
Pronto, realizei um dos meus desejos irrealizáveis! Agora só preciso encontrar uma baleia...
E agradeço aos Macondos pela oportunidade única da realização de um sonho.
A tempo: O Sonrisal é a única coisa do mundo que, dobrada em quatro, continua redonda. E quem for cineasta que me entenda!
Pronto, realizei um dos meus desejos irrealizáveis! Agora só preciso encontrar uma baleia...
E agradeço aos Macondos pela oportunidade única da realização de um sonho.
A tempo: O Sonrisal é a única coisa do mundo que, dobrada em quatro, continua redonda. E quem for cineasta que me entenda!
segunda-feira, outubro 10, 2005
Escovas
O resumo das piores sensações que eu tenho quando a Ana viaja é abrir o armarinho do banheiro e só encontrar uma escova de dentes. Não há coração que aguente a escova solitária no banheiro...
Um relacionamento pode estar péssimo, em momento de falta de diálogo, dinheiro ou sexo. Mas sempre haverá esperanças, enquanto houver duas escovas de dentes compartilhando o mesmo armarinho!
Um relacionamento pode estar péssimo, em momento de falta de diálogo, dinheiro ou sexo. Mas sempre haverá esperanças, enquanto houver duas escovas de dentes compartilhando o mesmo armarinho!
domingo, outubro 09, 2005
LICENÇA POÉTICA
Eu confesso: detesto blogs de pessoas que, sem terem o quê dizer, ficam citando poemas de escritores conhecidos. Mas, como diz um cineasta famoso, sempre citado por um amigo querido, "não me peçam coerência, porque eu sou um artista".
Hoje, peço licença para transcrever um poema da Adélia Prado, uma das minhas escritoras favoritas e que sempre me supreende com a beleza de seus versos.
Peço desculpas ao Gu, meu amado marido e sócio de blog, pela ousadia (não pude consultá-lo, pois ele dorme profundamente).
TEMPO
"A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é uma bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo.
Quero a fome."
(poema extraído do excelente livro: Adélia Prado, Poesia Reunida, Siciliano)
Hoje, peço licença para transcrever um poema da Adélia Prado, uma das minhas escritoras favoritas e que sempre me supreende com a beleza de seus versos.
Peço desculpas ao Gu, meu amado marido e sócio de blog, pela ousadia (não pude consultá-lo, pois ele dorme profundamente).
TEMPO
"A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é uma bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo.
Quero a fome."
(poema extraído do excelente livro: Adélia Prado, Poesia Reunida, Siciliano)
sexta-feira, outubro 07, 2005
DOS APELIDOS
Frase do dia segundo o Augusto:
"O apelido é uma forma inventada para tornar os nomes das pessoas menores e, portanto, pronuciáveis".
"O apelido é uma forma inventada para tornar os nomes das pessoas menores e, portanto, pronuciáveis".
sexta-feira, setembro 30, 2005
Tipica mente
Ana e eu somos diferentes. Querem ver uma ilustração?
Viajamos para BH mas tivemos que ir em dias diferentes. Eis a viagem da Ana:
Chegou no aeroporto no último minuto. No guiche, descobriu que a atendente chama Rosa e tem 2 filhos. Ao invés de ir direto para o portão, resolveu ir no restaurante. Ficou batendo papo sobre pescaria com João e Pedro. Embarcou e puxou papo com as professoras Amanda, Tereza, Ivana e Maria do Carmo, que voltavam de um congresso na Paraíba. Ia pegar o ônibus executivo mas ganhou uma carona no táxi de Marcos (57 anos e duas safenas), oferecida por Grazie (modelo que nasceu em Itabirito).
Ao descer, ficou com vergonha de Maurício, valete do Ouro Minas, que ajudou a ela com as malas, mesmo depois de saber que ela não ficaria hospedada no hotel...
Tempo de viagem: 2 horas
Resultado: 10 novos conhecidos
Eis a minha viagem:
Cheguei no aeroporto 2 horas antes do vôo, fiz meu check-in, sentei na sala de embarque em frente ao portão do meu vôo, coloquei o disc-man e ouvi Pixies, embarquei no avião, coloquei o disc-man e escutei Talking Heads. Na hora do lanche, tirei rapidamente o disc-man para pedir guaraná diet e o sujeito que vinha ao meu lado perguntou se eu tinha relógio. Respondi que não, coloquei o disc-man e escutei Herbert Vianna.
Em BH, fui direto para o ônibus, sentei lá dentro o mais rápido possível e escutei Ray Charles. Desci no centro e peguei um táxi, dei o endereço, recoloquei o disc-man e escutei Radiohead.
Tempo de viagem (incluindo espera): 3 horas
Resultado: 68 músicas de 5 bandas diferentes.
Viajamos para BH mas tivemos que ir em dias diferentes. Eis a viagem da Ana:
Chegou no aeroporto no último minuto. No guiche, descobriu que a atendente chama Rosa e tem 2 filhos. Ao invés de ir direto para o portão, resolveu ir no restaurante. Ficou batendo papo sobre pescaria com João e Pedro. Embarcou e puxou papo com as professoras Amanda, Tereza, Ivana e Maria do Carmo, que voltavam de um congresso na Paraíba. Ia pegar o ônibus executivo mas ganhou uma carona no táxi de Marcos (57 anos e duas safenas), oferecida por Grazie (modelo que nasceu em Itabirito).
Ao descer, ficou com vergonha de Maurício, valete do Ouro Minas, que ajudou a ela com as malas, mesmo depois de saber que ela não ficaria hospedada no hotel...
Tempo de viagem: 2 horas
Resultado: 10 novos conhecidos
Eis a minha viagem:
Cheguei no aeroporto 2 horas antes do vôo, fiz meu check-in, sentei na sala de embarque em frente ao portão do meu vôo, coloquei o disc-man e ouvi Pixies, embarquei no avião, coloquei o disc-man e escutei Talking Heads. Na hora do lanche, tirei rapidamente o disc-man para pedir guaraná diet e o sujeito que vinha ao meu lado perguntou se eu tinha relógio. Respondi que não, coloquei o disc-man e escutei Herbert Vianna.
Em BH, fui direto para o ônibus, sentei lá dentro o mais rápido possível e escutei Ray Charles. Desci no centro e peguei um táxi, dei o endereço, recoloquei o disc-man e escutei Radiohead.
Tempo de viagem (incluindo espera): 3 horas
Resultado: 68 músicas de 5 bandas diferentes.
sábado, setembro 17, 2005
Outras vidas
Depois que terminar essa vida, posso ter que voltar de novo para aprender sobre ser eu mesmo, sobre o trabalho ou sobre a religião. Para aprender sobre o amor, não preciso mais. Ana me ensinou tudo!
terça-feira, setembro 13, 2005
DA SÉRIE ETs - PARTE II
A vida é mesmo engraçada. Um belo dia você acorda, olha pro lado e não reconhece mais a pessoa com quem se casou. É fato que ninguém conhece ninguém de verdade, que não conheçemos nem nós mesmos direito, que a realidade sequer existe, como dizem os filósofos naquele blábláblá infernal! Mas a gente sempre tem a pretensão de conhecer a fundo a pessoa com a qual dormimos todos os dias...Só que nunca conhece!
Eu confesso que levei um susto quando olhei pro Gu e tive certeza que ele foi abduzido por um extraterrestre. Sérá o mesmo que me manteve em cárcere privado durante três meses e que, de vez em quando, ainda me leva pra passar uns dias no seu planeta e traz de volta uma Ana pessimista e de mau humor? Não sei ao certo. Mas que algum ET levou meu marido verdadeiro embora isso levou!
Vocês acreditam que o Augusto agora cultiva estranhos hábitos noturnos? Pois é. Ele não dorme antes de se pesar na balança que temos no quarto e antes de ver a previsão do tempo. Isso mesmo! Ele está viciado em METEOROLOGIA!!!! Ainda não entendi o porquê. Segundo ele, saber a previsão do tempo é muito útil e importante para planejarmos o dia seguinte...
Só sei de uma coisa: esse não é meu marido e eu queria pedir pra esse ET maldito parar com essa brincadeira de ficar abduzindo as pessoas! Isso não tem a menor graça!
Eu confesso que levei um susto quando olhei pro Gu e tive certeza que ele foi abduzido por um extraterrestre. Sérá o mesmo que me manteve em cárcere privado durante três meses e que, de vez em quando, ainda me leva pra passar uns dias no seu planeta e traz de volta uma Ana pessimista e de mau humor? Não sei ao certo. Mas que algum ET levou meu marido verdadeiro embora isso levou!
Vocês acreditam que o Augusto agora cultiva estranhos hábitos noturnos? Pois é. Ele não dorme antes de se pesar na balança que temos no quarto e antes de ver a previsão do tempo. Isso mesmo! Ele está viciado em METEOROLOGIA!!!! Ainda não entendi o porquê. Segundo ele, saber a previsão do tempo é muito útil e importante para planejarmos o dia seguinte...
Só sei de uma coisa: esse não é meu marido e eu queria pedir pra esse ET maldito parar com essa brincadeira de ficar abduzindo as pessoas! Isso não tem a menor graça!
terça-feira, agosto 23, 2005
Da série Constatações Óbvias
O pepino é uma melancia sem a parte vermelha e carnuda.
Primeiras versões são melhores que segundas (vide “A Fantástica Fábrica de Chocolate”).
Iogurte não pode ter só polpa de fruta. Tem que ter pedaço.
A palavra “ocasional” apareceu por acaso, não por ocaso.
O bom humor é altamente irritante, já o mau humor é amplamente contagiante.
Mais alguma?
Primeiras versões são melhores que segundas (vide “A Fantástica Fábrica de Chocolate”).
Iogurte não pode ter só polpa de fruta. Tem que ter pedaço.
A palavra “ocasional” apareceu por acaso, não por ocaso.
O bom humor é altamente irritante, já o mau humor é amplamente contagiante.
Mais alguma?
sexta-feira, agosto 19, 2005
QUEM GARANTE?
Tirei umas férias de mim. Estranhamente, passei a habitar outro corpo, antes desconhecido. Como até respirar ficou difícil e dolorido, resolvi habitar outras esferas. Fui abduzida por um extraterrestre de aparência medonha, com o qual estive até o dia de hoje. Não sei qual a razão ao certo, mas ele resolveu me libertar e me trazer de volta a Terra.
Não tenho saudades do meu tempo de exílio de mim mesma, nem da dor e do cansaço que me fizeram presa fácil dos alienígenas. Mas ficou uma lição para toda a vida: nunca mais vou confiar em estranhos. Quem garante que você que está lendo isso aqui agora também não é um ET?
Não tenho saudades do meu tempo de exílio de mim mesma, nem da dor e do cansaço que me fizeram presa fácil dos alienígenas. Mas ficou uma lição para toda a vida: nunca mais vou confiar em estranhos. Quem garante que você que está lendo isso aqui agora também não é um ET?
sábado, agosto 06, 2005
Análise do novo poema de Quindim
Gula: fervor e redenção
Ração, Oh, ração
Jogo-me em ti com fervor
Pena que fedes à mão
Do carrasco que roubou meu amor
Como todos sabem, Quindim, nosso poodle, é filósofo e poeta, e me pediu que, como psicólogo, analisasse seu novo poema (o que foi muito simpático da parte dele).
Então, vejamos: O poema parece tratar-se da formação do sintoma neurótico a partir da interdição pela função paterna. Assim, o sujeito entrega-se obsessivamente à comida, já que a “mãe”, no sentido de nutrição e prazer, foi interditada pela “carrasco”, no caso, o pai, que...
Peraí, O CARRASCO SOU EU!!! Quindim, vem cá, seu safado!!!
Ração, Oh, ração
Jogo-me em ti com fervor
Pena que fedes à mão
Do carrasco que roubou meu amor
Como todos sabem, Quindim, nosso poodle, é filósofo e poeta, e me pediu que, como psicólogo, analisasse seu novo poema (o que foi muito simpático da parte dele).
Então, vejamos: O poema parece tratar-se da formação do sintoma neurótico a partir da interdição pela função paterna. Assim, o sujeito entrega-se obsessivamente à comida, já que a “mãe”, no sentido de nutrição e prazer, foi interditada pela “carrasco”, no caso, o pai, que...
Peraí, O CARRASCO SOU EU!!! Quindim, vem cá, seu safado!!!
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